Índice de temperatura do globo negro e umidade (ITGU) na avaliação da tolerância de caprinos ao calor - revisão integrativa

Authors

  • Bonifácio Benicio de Souza
  • Talícia Maria Alves Benício
  • Nágela Maria Henrique Mascarenhas
  • Luanna Figueirêdo Batista
  • Gustavo de Assis Silva
  • Expedito Danúsio de Souza
  • João Vinícius Barbosa Roberto
  • Maycon Rodrigues da Silva
  • Fabíola Franklin de Medeiros
  • Ariádne de Barros Carvalho
  • Danilo Leite Fernandes

DOI:

https://doi.org/10.55905/oelv22n2-189

Keywords:

bioclimatologia, estresse térmico, conforto térmico, adaptabilidade

Abstract

Objetivou-se com este trabalho realizar uma revisão integrativa para identificar através de resultados obtidos em pesquisas realizadas com caprinos no semiárido e determinar o valor do ITGU como marco referencial de desconforto térmico para caprinos com base nas respostas fisiológicas temperatura retal e frequência respiratória. Para o desenvolvimento desse artigo foi realizada uma revisão integrativa sobre o índice de conforto térmico: Índice de temperatura de globo negro e umidade (ITGU) utilizado em pesquisas realizadas no semiárido. Foram utilizados nesse estudo 10 (dez) artigos científicos, resultantes de 10 (dez) pesquisas com um total de 257 (duzentos e cinquenta e sete) caprinos pertencentes aos grupos genéticos: Moxotó, Azul, Graúna, Anglo-Nubiana, Pardo-Sertaneja, Boer, Savana, Parda Alpina, British Alpine e os mestiços: ½Boer + ½SRD, ½Anglo-Nubiana + ½SRD, ½Savana + ½SRD, ½Kalarari + ½SRD, ½Moxotó + ½SRD, ½Saanen + ½Boer e Sem raça definida - SRD. E que utilizaram o ITGU como índice de conforto térmico, e estudaram as respostas fisiológicas: temperatura retal (TR) e frequência respiratória (FR) nos turnos da manhã e da tarde, como respostas ao estresse por calor. As médias das respostas TR e FR, sob o efeito do ITGU nos turnos da manhã e da tarde, obtidas nessas pesquisas, foram analisadas utilizando um Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC) com 10 repetições. As repetições consideradas foram as médias das 10 pesquisas estudadas, obtidas dos 257 caprinos estudados nos turnos da manhã e da tarde. As análises foram realizadas através do programa Sistemas de Análises Estatísticas e Genéticas (SAEG, 1993) e as médias foram comparadas pelo teste F a 5% de probabilidade. A média do índice de temperatura do globo negro e umidade (ITGU), pela manhã foi 76 e à tarde 82. As variáveis fisiológicas temperatura retal (TR) e frequência respiratória (FR) variaram significativamente (p<0,01) entre os turnos manhã e tarde. A TR com média de 38,92 ºC pela manhã e 39,44 ºC à tarde. Para a FR houve diferença significativa (P<0,01) com média de 37 e 47 mov/min pela manhã e à tarde, respectivamente. Concluiu-se que índice de temperatura de globo negro e umidade (ITGU) é um índice de avaliação de conforto térmico que pode ser usado com eficiência para caprinos. Ambientes com ITGU igual ou próximo a 82 pode ser considerado de desconforto térmico, podendo provocar estresse baixo; e ITGU acima de 84, considerado de estresse alto, para várias raças de caprinos criadas no semiárido brasileiro.

References

ARRUDA, F. A. V.; PANT, K. P. Tolerância ao calor de caprinos e ovinos sem lã em Sobral. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 19, n. 3, p. 379-385, 1985.

BATISTA LF, et al. Respostas fisiológicas e reprodutivas de caprinos British Alpine nos períodos seco e chuvoso no semiárido Paraibano. Revista observatorio de la economia latino-americana, v.21, n.9, p. 12712-12737. 2023.

BIANCA, W.; KUNZ, P. Physiological reactions of here breedes of goats to cold, heat and hightaltitude. Livestock Production Science, Amsterdam, v. 5, n. 1, p. 57-69, 1978.

BRION, A. Vademecum del veterinario. 2. ed. Barcelona: Gea, 1964. 732 p.

BUFFINGTON DE, et al. Black globe-humidity index (BGHI) as comfort equation for dairy cows. Transactions of the ASAE, v. 24, n. 3, p. 711-0714, 1981.

CASTRO, A. A cabra. Fortaleza: S.A.A., 1979. 365 p.

CUNNINGHAM JG.; KLEIN, BG. Tratado de Fisiologia Veterinária (3ª edição). Ed. Guanabara Koogan, São Paulo, 596p, 2004.

INGRAM DL, MOUNT LE. Man and Animals in Hot Environments. Springer-Verlag, New York. 1975.

INMET (2023), O ano de 2023 é o mais quente da série histórica do Brasil. Disponível em: https://portal.inmet.gov.br/noticias/ano-de-2023-%C3%A9-o-mais-quente-da-hist%C3%B3ria-do-brasil. Acesso em: 17 de janeiro de 2023.

IPCC, 2023: Sections. In: Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Core Writing Team, H. Lee and J. Romero (eds.)]. IPCC, Geneva, Switzerland, pp. 35-115, doi: 10.59327/IPCC/AR6-9789291691647Clima.

LEITE JRS, et al. Influência de fatores bioclimáticos nos índices produtivos e fisiológicos de caprinos nativos confinados. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.16, n.4, p.443-448, 2012.

MASCARENHAS, NMH. Variáveis fisiológicas e estruturas de tegumento de ovinos e caprinos criados no semiárido brasileiro. 2018. 58f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural, 2018.

MCMANUS C, et al. The challenge of sheep farming in the tropics: aspects related to heat tolerance. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 40, n. Suppl. Esp, p. 107-120, 2011.

QUESADA M, et al. Tolerância ao calor de duas raças de ovinos deslanados no Distrito Federal. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 30, (Supl 1), n. 3, p. 1021-1026, 2001.

SANTOS FCB, et al. Adaptabilidade de caprinos exóticos e naturalizados ao clima semiárido do Nordeste brasileiro. Ciência e Agrotecnologia, v.29, n.1, p.142-149, 2005.

SILANIKOVE, N. Effects of heat stress on the welfare of extensively managed domestic ruminants. Livestock Production Science, v.67, n.1, p.1¬18, 2000.

SILVA EMN, et al. Avaliação da adaptabilidade de caprinos exóticos e nativos no semi-árido paraibano. Ciência e Agrotecnologia, v.30, n.3, p.516-521, 2006.

SOUZA BB, et al. Efeito do ambiente e da idade sobre as respostas fisiológicas e consti-tuintes sanguíneos de cabritos Anglo Nubiano. Journal of Animal Behaviour and Bio-meteorology, v.2, n.4, p.117-125, 2014.

SOUZA BB, et al. Respostas fisiológicas de caprinos terminados em pastagem nativa no semiárido paraibano. Journal of Animal Behaviour and Biometeorology, v.1, n.2, p.37-43, 2013.

SOUZA BB, et al. Respostas fisiológicas e índice de tolerância ao calor de caprinos mestiços de boer no semiárido. Revista Verde, v.6, n.3, p.146-151, 2011.

SOUZA BB, et al. Temperatura superficial e índice de tolerância ao calor de caprinos de diferentes grupos raciais no semi¬árido nordestino. Ciência e Agrotecnologia, v.32, n.1, p.275¬280, 2008.

SOUZA ED, et al. Determinação dos parâmetros fisiológicos e gradientes térmicos de diferentes grupos genéticos de caprinos no semi¬árido. Ciência e Agrotecnologia, v.29, n.1, p.177¬184, 2005.

SOUZA ED, et al. Determinação dos parâmetros fisiológicos e gradientes térmicos de diferentes grupos genéticos de caprinos no semi¬árido. Ciência e Agrotecnologia, v.29, n.1, p.177¬184, 2005.

SOUZA, BB, et al. Caprinos e ovinos adaptados aos trópicos. Journal of Animal Behaviour and Biometeorology, v.3, n.2, p.42-50, 2015.

SOUZA, BB, et al. Temperatura superficial e índice de tolerância ao calor de caprinos de diferentes grupos raciais no semi-árido nordestino. Ciência e Agrotecnologia, v.32, n.1, p.275-280, 2008.

Published

2024-02-21

How to Cite

de Souza, B. B., Benício, T. M. A., Mascarenhas, N. M. H., Batista, L. F., Silva, G. de A., de Souza, E. D., Roberto, J. V. B., da Silva, M. R., de Medeiros, F. F., Carvalho, A. de B., & Fernandes, D. L. (2024). Índice de temperatura do globo negro e umidade (ITGU) na avaliação da tolerância de caprinos ao calor - revisão integrativa. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 22(2), e3385. https://doi.org/10.55905/oelv22n2-189

Issue

Section

Articles

Most read articles by the same author(s)

1 2 > >>