Estrutura e composição de ervas terrestres em zonas ripárias na estação ecologica de Cuniã

Authors

  • Alex Eugênio de Oliveira
  • Maíra Silva Ribeiro
  • Adeilza Felipe Sampaio
  • Angelo Gilberto Manzatto

DOI:

https://doi.org/10.55905/oelv22n1-084

Keywords:

igarapé, ervas terrestres, herbáceo, terra firme, estação ecológica de cuniã

Abstract

Realizamos um inventário de ervas terrestres em ambientes ripários em uma floresta de terra firme ao sul do Interflúvio Purus-Madeira e localizada na Amazônia Ocidental, para samambaias, licófitas e monocotiledôneas, excluindo palmeiras. Dezoito parcelas de 250 X 2 m, totalizando 0,9 hectares foram amostradas. A área de estudo fica localizada na Estação Ecológica de Cuniã, Rondônia, Brasil. Para caracterizar a comunidade de ervas terrestres, calculamos a riqueza, abundância e frequência relativa. No total, foram computados 6560 indivíduos, 54 espécies, 32 gêneros e 21 famílias. Marantaceae (20 spp) é a família com maior riqueza e a mais abundante com 2905 indivíduos seguido de Poaceae com 2026 indivíduos. A samambaia Trichomanes pinnatum (Hymenophyllaceae) e Pariana radiciflora (Poaceae) foram as espécies mais comuns estre as parcelas, observadas em 94% delas. A riqueza de espécies encontrada aqui é maior quando comparada a estudos com área amostral menor e inferior quando analisado com áreas amostrais maiores em ambientes ripários e não-ripários na Amazônia Brasileira. Entretanto, são bastante próximos quanto comparamos ambientes e tamanhos amostrais similares e com distancias geográficas consideráveis entre os estudos. Outra semelhança, é quanto a composição da comunidade de ervas terrestres observadas aqui e à sítios amostrais de florestas de terra firme ripários e não ripários na Amazônia, onde as famílias Marantaceae, Araceae, Poaceae e Heliconiaceae geralmente estão entre as mais representativas em número de espécies e indivíduos no estrato herbáceo amazônico. Destacamos que estudos sobre o componente herbáceo terrestre em ambientes ripários na Amazônia são de extrema importância e urgência em áreas protegidas, principalmente em unidades de conservação que visam a manutenção dos recursos naturais, para integrarem a compreensão das dinâmicas presentes nesses ecossistemas.

References

ANDRADE, R. T. G. Variação espacial e temporal da biomassa vegetal direcionada por preditores ambientais em florestas de terra-firme na ESEC Cuniã-Interflúvio Madeira-Purus, Rondônia, Brasil. 2017. 79f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) - Universidade Federal de Rondônia - Porto Velho, Rondônia, RO, 2007.

APG IV - The Angiosperm Phylogeny Group. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV, Botanical Journal of the Linnean Society, 2016; v.181, n.1, p.1 - 20. DOI: https://doi.org/10.1111/boj.12385.

BRASIL. Projeto RADAMBRASIL: Geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra, Rio de Janeiro, 1978.

CAPON S. J. et al. Riparian ecosystems in the 21th century: hotspot for climate change adaptation? Ecosystems, v.16, n.3, p.359 - 381. 2013. DOI: https://www.jstor.org/stable/i23462357.

CESTARO, L. A.; WAECHTER, J. L.; BAPTISTA, L. R. M. Fitossociologia do estrato herbáceo da Mata de Araucária da Estação Ecológica de Aracuri, Esmeralda, RS. Hoehnea, v.13, p.59 – 72. 1986.

CITADINI-ZANETTE, V. Composição florística e fitossociologia da vegetação herbácea terrícola de uma mata de Torres, Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, 32: 23-62.1984.

COSTA, F. R. C. Mesoscale Gradients of Herb Rchness and Abundance in Central Amazonia. Briotropica, v.38, n.6, p.711 - 717. 2006. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1744-7429.2006.00211.x.

COSTA, F. R. C. Structure and composition of the ground-herb community in a terrafirme Central Amazonian forest. Acta Amazonica, v.34, n.1, p.53 - 59. 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0044-59672004000100007.

COSTA, F. R. C.; Magnusson, W. E.; Luizao, R. C. Mesoscale distribution patterns of Amazonia understorey herbs in relaton to topography, soil and watersheds. Journal of Ecology, v.93, n.5, p.863 - 878. 2005. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1365-2745.2005.01020.x.

DIESEL, S. Estudo fitossociológico herbáceo/arbustivo da mata ripária da bacia hidrográfica do rio dos Sinos, RS. Pesquisas, série Botânica, n.42, p. 201 – 257. 1991.

DODSON, C. H.; GENTRY, A. H. Flora of the Rio Palenque Science Center: Los Rios Province, Ecuador. Selbyana, v.4, p.1 – 628. 1978.

DORNELES, L. P. P.; NEGRELE, R. R. B. Composição florística e estrutura do compartimento herbáceo de um estágio sucessional avançado da Floresta Atlântica, no sul do Brasil. Biotemas, v.12, n.2, p.7 – 30. 1999.

DRUCKER, D.; COSTA, F.; MAGNUSSON, W. How wide is the riparian zone of small streams in tropical forests? A test with terrestrial herbs. Journal of Tropical Ecology, v.24, n.1, p.65 - 74. 2008. DOI: https://doi.org/10.1017/S0266467407004701.

GENTRY, A. H.; EMMONS, L. H. Geographical variation in fertility, phenology, and composition of the understory of neotropical forests. Biotropica, v.19, n.3, p.216 – 22. 1987. DOI: https://doi.org/10.2307/2388339.

ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Plano de Manejo da Estação Ecológica de Cuniã, 2018. <https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/unidade-deconservacao/unidades-de-biomas/amazonia/lista-de-ucs/esec-decunia/arquivos/plano_de_menejo_esec_de_cunia_2018.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2023.

ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Produto 5: Relatório consolidado do diagnóstico ambiental estação ecológica de Cuniã. Ministério do Meio Ambiente, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Brasília. 2016. p.198.

IRGANG, G.V. Estudo e Mapeamento das Unidades de Paisagem Natural das Unidades de Conservação Federais do Interflúvio dos rios Purus – Madeira (área sob influência da BR-319). ICMBio, Brasília. 2012, p.236.

MAGALHÃES, J. L. L. Composição e estrutura da comunidade herbácea de sub-bosque e sua distribuição em relação a fatores ambientais na FLONA de Caxiuanã, Amazônia Oriental. 2010. 82f. Dissertação (Mestrado em Botânica) – Universidade Federal Rural da Amazônia – Belém, Para, PA, 2010.

MAGNUSSON, W. E. et al. RAPELD: a modification of the gentry method for biodiversity surveys in long-term ecological research sites. Biota Neotropica, v.5, n.2, p.1-6. 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S1676-06032005000300002.

MOULATLET, G. M. et al. Local hydrological conditions explain floristic composition in lowland amazonian forests. Biotropica, v.46, n.4, p.395 – 403. 2014. DOI: https://doi.org/10.1111/btp.12117.

MÜLLER, S. C.; WAECHTER, J. L. Estrutura sinusial dos componentes herbáceo e arbustivo de uma floresta costeira subtropical. Brazilian Journal of Botany, v.24, n.4, p.395 – 406. 2001. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-84042001000400005.

PANSINI, S. et al. Riqueza e seletividade de palmeiras ao longo de gradientes ambientais na região do interflúvio Purus-Madeira em Porto Velho, RO. Biota Amazônica, v.6, n.2, p.93-100, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.18561/2179-5746/biotaamazonia.v6n2p93-100.

POULSEN, A. D. Species richness and diversity ground herbs within a plot of lowland rainforest in northwest Borneo. Journal of Tropical Ecology. V.12, n.2, p.177– 190. 1996. DOI: https://doi.org/10.1017/S0266467400009408.

POULSEN, A. D.; BALSLEV, H. Abundance and cover of ground herbs in an Amazonian rainforest. Journal of Vegetation. Science, v.2, n.3, p.315 – 322. 1991. DOI: https://doi.org/10.2307/3235922.

PPBIO – Programa de Pesquisa em Biodiversidade. ESEC Cuniã, 2012. Disponível em: <http://ppbio.inpa.gov.br/sitios/cunia>. Acesso em: 11 dez. 2023.

PPG - Pteridophyte Phylogeny Group. A community-derived classification for extant lycophytes and ferns. Journal of Systematics and Evolution. 2016; v.54, n6, p.563-603. DOI: https://doi.org/10.1111/jse.12229.

RIBEIRO, J. E. L. S. et al. Flora da Reserva Ducke: Guia de identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra-firme na Amazônia Central. INPA/DFID, Manaus, Brasil, 1999.

RIBEIRO, M. S. Efeito das variáveis ambientais na distribuição de herbáceas em zonas ripárias na Estação Ecológica do Cuniã, Interflúvio Madeira-Purus, Brasil. 2014. 53p.Monografia (Graduação em Ciências Biológica) - Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, Rondônia, RO. 2014.

RODRIGUES, D. B. Groud-herb communities of terra firme ripaian forests of the lower Tapajós River in the Brazilian Amazon. Rodriguésia, v. 72, e0052020.2021, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-7860202172091.

SOUSA, T. E. L. Distribuição de palmeiras (Arecaceae) ao longo de gradientes ambientais no baixo interflúvio Purus-Madeira, Brasil. 2007. 42f. Dissertação (mestrado em Biologia, Ecologia) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Manaus, Amazonas, AM, 2007.

VIEIRA, F. G. et al. Catálogo de peixes da ESEC Cuniã. 1 ed. Edufro, Porto Velho, p.108, 2016.

ZUQUIM, G.; COSTA, F. R. C.; PRADO. J.; TUOMISTO, H. Guia de identificação das samambaias e licófitas da REBIO Uatumã, Amazônia Central. Áttema Design Editorial, Manaus. p.321, 2008.

Published

2024-01-18

How to Cite

de Oliveira, A. E., Ribeiro, M. S., Sampaio, A. F., & Manzatto, A. G. (2024). Estrutura e composição de ervas terrestres em zonas ripárias na estação ecologica de Cuniã. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 22(1), 1588–1601. https://doi.org/10.55905/oelv22n1-084

Issue

Section

Articles