Diversidade e potencial de uso da vegetação em remanescente florestal urbano de Mata Atlântica

Authors

  • Anderson de Vechi
  • Carlos Alberto de Oliveira Magalhães Júnior
  • Mariza Barion Romagnolo
  • Lucas Antônio da Silva Guerra

DOI:

https://doi.org/10.55905/oelv21n11-225

Keywords:

levantamento florístico, vegetação nativa, unidade de conservação, floresta estacional semidecidual

Abstract

Objetivou-se conhecer a diversidade florística, caracterizar o estágio sucessional e o potencial de uso das espécies da UC, no município de Goioerê, Paraná. A área de estudo é um remanescente de FES, Bioma Mata Atlântica, constituída de vegetação nativa com um denso conjunto arbóreo, arbustos e trepadeiras. Realizaram-se coletas de material botânico em estágio reprodutivo durante março de 2021 a abril de 2023, as quais foram herborizadas e incorporadas ao acervo do Herbário da Universidade Estadual de Maringá (HUEM). O material botânico foi identificado a partir de bibliografia específica e por comparação com o acervo do HUEM e outros herbários virtuais orientando-se pela plataforma Funga e Flora do Brasil. As espécies foram classificadas por hábito, origem, endemismo, grupos sucessionais, síndrome de dispersão e potencial de uso. Quanto à origem, as espécies exóticas foram classificadas pelo seu potencial de invasão em espécie exótica (EE) e espécie exótica invasora (EEI). Registraram-se 215 espécies pertencentes a 56 famílias e 164 gêneros. As famílias com maior número de espécies foram Fabaceae; Myrtaceae; Rubiaceae; Bignoniaceae; Sapindaceae; Meliaceae; Asteraceae; Malvaceae; Rutaceae; Euphorbiaceae; Lauraceae; Moraceae; Piperaceae; Anacardiaceae; Apocynaceae; Nyctaginaceae; Curcubitaceae; Malpighiaceae e Orchidaceae com 75,81 % das espécies. No tocante ao estágio sucessional, 32% das espécies arbóreas são pioneiras e 68% não pioneiras. Verificou-se o predomínio arbóreo, seguido por arbusto, trepadeira e erva. Em relação à síndrome de dispersão, 23% são autocóricas, 25% anemocóricas e 52% zoocóricas. No  potencial de uso, 34,90% medicinal; 17,70% alimentício; 18,60% madeira; 15,80% ornamental; 1,39% forragem,  narcótico e venenoso; 0,46% fibras e melífera; e 9,30% não informados na literatura.  O estudo revelou diversidade florística elevada nativa e similaridade com resultados alcançados por outros autores em FES no Paraná. Verificou-se a presença de espécies ameaçadas de extinção e a ocorrência de espécies exóticas. No que se refere à síndrome de dispersão de propágulos, as zoocóricas são dominantes e relevantes na manutenção do ecossistema pela interdependência entre flora e fauna. A UC evidencia o valor do remanescente urbano devido à biodiversidade de fauna e flora, o que justifica a preservação e a conservação ambiental e serve de base para estudos posteriores.

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Published

2023-11-29

How to Cite

de Vechi, A., Magalhães Júnior, C. A. de O., Romagnolo, M. B., & Guerra, L. A. da S. (2023). Diversidade e potencial de uso da vegetação em remanescente florestal urbano de Mata Atlântica. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 21(11), 22787–22809. https://doi.org/10.55905/oelv21n11-225

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Articles