Anastácia e as mulheres negras encarceradas: a invisibilidade como um legado da colonialidade

Authors

  • Joice Graciele Nielsson
  • Adriane Arriens Fraga Bitencourt
  • Nathalia das Neves Teixeira

DOI:

https://doi.org/10.55905/oelv21n11-238

Keywords:

colonialidade, mulheres negras, encarceramento, decolonialidade

Abstract

Esse artigo propõe uma discussão sobre o silenciamento das mulheres negras privadas de liberdade a partir de uma reflexão sobre o racismo patriarcal como um mecanismo de manutenção das relações coloniais de poder sobre o corpo negro feminino. Em analogia à máscara de ferro de Anastácia, argumenta-se que a colonialidade silencia e aprisiona as mulheres negras, principalmente na condição de encarceramento. Com base na revisão bibliográfica, serão analisados conceitos de colonialidade alicerçados pelas perspectivas decoloniais de Aníbal Quijano e Nelson Maldonado-Torres, bem como os reflexos perversos dessa colonialidade no racismo e sexismo. Em conclusão, instrumentaliza a decolonialidade como um meio de promoção, resistência e desmonte das perspectivas ínfimas impostas às mulheres negras.

References

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2018 e 2021.

ÁLVARO, Mirla Cisne. ARAÚJO, Nayra da Silva. Colonialidade e violência contra as mulheres negras no Brasil: uma análise feminista decolonial. Revista Tensões Mundiais, Fortaleza, v.17, n.33, p.349-370, 2021.

BERNARDINO-COSTA, Jose; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, Ramón (org). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. I. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

BOTOSSO, Tatiana Cavalcante de Oliveira. Ensaios sobre Racismo: pensamentos de fronteira. Bailão Editorial, 2019.

DANTAS, Luis Thiago Freire. Filosofia desde África: Perspectivas Descoloniais. 2018. 231 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2018.

DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993

FANON, Frantz. Pele negra máscaras brancas [1952]. Título original: “Peau noire, masques blancs”. Salvador: EDUFBA, 2008 a.

FLAUZINA, Ana Luiza Pinheiro. Corpo Negro Caído no Chão. DF: Brado Negro, 2019.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir - História da Violência nas Prisões. 23ª edição. Petrópolis: 1987.

GÉLEDES – INSTITUTO DA MULHER NEGRA. Diaspóra Africana. São Paulo: Geledés, 2017. Disponível em: https://www.geledes.org.br/diaspora-africana. Acesso em: 10 ago.22

GOFFMAN, Erving. Prisões, manicômios e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1974.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Editora Cobogó, 2019.

LIMA, Emanuel Fonseca; SANTOS, Fernanda Fernandes dos; NAKASHIMA, Henry Albert Yukio; TEDESCHI, LOSANDRO ANTONIO (org). Ensaios sobre racismos: pensamento de fronteira. Bailão Editorial, 2019.

MAIA, Bruna Soraia Ribeiro; MELO, Vico Dênis Sousa. A colonialidade do poder e suas subjetividades. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFJF v. 15 n. 2 Julho. 2020.

MAIA, Fernando Joaquim Ferreira; FARIAS, Mayara Hellena Verissímo de. (2020). Colonialidade do poder: a formação do eurocentrismo como padrão de poder mundial por meio da colonização da América. Interações (Campo Grande), 21(3), 577–596.Disponível em: https://interacoessucdb.emnuvens.com.br/interacoes/article/view/2300/2470. Acesso em: 10 ago.22

MIGNOLO, Walter. La idea de América Latina: la herida colonial y la opción decolonial. Barcelona: Editorial Gedisa Blackwell Publishing, 2007.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina.In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciência sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLASCO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2005.

QUIJANO, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Estudos Avançados v.19, n.55, 2005.

SANTOS, Walkyria Chagas da Silva. A mulher negra brasileira. In: Revista África e Africanidades, nº 5, mai. 2009. Acesso em 09 ago.22.

SEN, Amartya. A ideia de justiça. Tradução de Ricardo Doninelli Mendes e Denise

STREVA, Juliana Moreira. (2022). Colonialidade do Ser e Corporalidade: o Racismo bra-sileiro por uma lente descolonial. Antropolítica - Revista Contemporânea De Antropo-logia, 1(40). Disponível em https://doi.org/10.22409/antropolitica2016.1i40.a41776. Acesso em: 10 ago.2022

TONIAL, Felipe Augusto Leques; MAHEIRIE, Kátia; GARCIA JUNIOR, Carlos Alberto Severo. A resistência à colonialidade: definições e fronteiras. In: Revista psicologia. UNESP ; 16(1): 18-26, 2017. Disponível em:https://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/view/842/823. Acesso em 14 ago.22.

WERMUTH, M. Ângelo D.; NIELSSON, J. G. O Campo como Espaço da Exceção: Uma Análise da Produção da Vida Nua Feminina nos Lares Brasileiros à Luz da Biopolítica. Prim Facie, [S. l.], v. 15, n. 30, p. 01–34, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/primafacie/article/view/33084. Acesso em: 9 ago. 2022.

WERMUTH, Maiquel Ângelo Dezordi; NIELSSON, Joice Graciele. “Crônica de uma morte anunciada”: a instauração do “paradigma do campo” e o colapso do sistema penitenciário brasileiro. RBSD – Revista Brasileira de Sociologia do Direito, v. 4, n. 2, p. 47-73, mai./ago. Disponível em: https://revista.abrasd.com.br/index.php/rbsd/article/view/140/109. Acesso 10 de ago.2022.

Published

2023-11-29

How to Cite

Nielsson, J. G., Bitencourt, A. A. F., & Teixeira, N. das N. (2023). Anastácia e as mulheres negras encarceradas: a invisibilidade como um legado da colonialidade . OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 21(11), 23020–23037. https://doi.org/10.55905/oelv21n11-238

Issue

Section

Articles