Pirataria fluvial e a percepção espacial da violência – a geografia do medo no rio Solimões no Amazonas

Authors

  • Kristian Oliveira de Queiroz

DOI:

https://doi.org/10.55905/oelv21n8-124

Keywords:

pirataria fluvial, vulnerabilidade do território, Tefé, Coari

Abstract

Este artigo visa contribuir para o entendimento dos impactos da pirataria fluvial nas populações das maiores cidades do Médio Solimões no Amazonas: Tefé, nó de rede da circulação na região há mais de dois séculos; e Coari, sede da produção de hidrocarbonetos na Província Petrolífera do Urucu gerida pela Petrobrás. As diferentes maneiras de enfrentar as repercussões da desigualdades sociais revela muitas vezes a incapacidade do Estado e da sociedade responder aos riscos e perigos que afligem a população. A hipótese de que a carência ou ineficiência dos elementos espaciais na região do Solimões provoca uma vulnerabilidade do território guia esse estudo. A metodologia se amparou na pesquisa bibliográfica e no trabalho de campo envolvendo entrevistas com moradores do lago urbano de Tefé e Coari bem como visitas institucionais no 3º Batalhão da Polícia Militar em Tefé, Batalhão Solimões; a Base Arpão em Coari; e a Delegacia Fluvial da Polícia Civil em Manaus. Esse estudo permite o entendimento dos diferentes comportamentos e perspectivas do uso marginal do território em espaços socialmente desorganizados; economicamente pobres; desprovidos de infraestruturas e instituições suficientes para promover segurança e qualidade de vida à sua população.

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Published

2023-08-30

How to Cite

de Queiroz, K. O. (2023). Pirataria fluvial e a percepção espacial da violência – a geografia do medo no rio Solimões no Amazonas. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 21(8), 10132–10152. https://doi.org/10.55905/oelv21n8-124

Issue

Section

Articles